Numa noite, um velho índio falou para seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas: “Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é mau, é raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego. E o outro é bom, é alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé”.
O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: “Qual lobo vence?”. O velho índio respondeu: “Aquele que você alimenta”.
Robert Sutton, professor da Universidade de Stanford, lançou, no fim do ano passado, seu último livro: Bom chefe, mau chefe, da editora Bookman. Para quem não lembra, ele também é autor do best-seller Chega de babaquice! – Robert é uma autoridade respeitada mundialmente e vale a pena ler seus trabalhos.
Sua última obra tem todo o conteúdo embasado em pesquisas e é repleto de exemplos de casos reais. Ou seja, nada a ver com historinhas motivacionais, observações subjetivas e crises de autoestima.
Para o professor Sutton, os líderes têm culpa por grande parte dos abusos no ambiente de trabalho. Segundo ele, todo chefe deveria se perguntar: “Aos olhos da minha equipe, conquistei o direito de me orgulhar de mim mesmo?”.
A pergunta que faço para você, caro(a) leitor(a) e líder, nesse início de ano é a seguinte: qual chefe você tem alimentado ultimamente, o bom ou o mau?
No Artigo da Semana, que está na sequência, separei uma ótima resenha de autoria de Sylvio Ribeiro sobre o livro Bom chefe, mau chefe. Acesse o site: www.pequenoguru.com.br
. Vale a pena conferir.
Muito obrigado, boa leitura e um grande abraço!
Júlio Clebsch
Gerente editorial da revista Liderança
julio@lideraonline.com.br
Artigo da semana
Seu chefe é um babaca?
Por Sylvio Ribeiro
Sabe aquelas coisas que você sente vontade de dizer para o chefe, mas só fala para os colegas? Robert Sutton diz para você e sem medo. Afinal, ele é professor de uma das mais renomadas universidades do mundo, autor de muitos livros e articulista da Harvard business review. Robert está do lado do funcionário, bons chefes também!
Seu livro anterior se chama Chega de babaquice! (The no asshole rule, em inglês). Mais pesado no seu título original que em português, a obra aborda o bullying no ambiente de trabalho, uma das coisas que mais prejudica o desempenho e o clima organizacional dentro das empresas. Quando perguntaram a Robert o porquê do livro, ele explicou:
“Primeiro, meu pai sempre me disse pra evitar os babacas a todo custo, não importando quão poderosos ou ricos eles sejam, porque isso é contagioso. Esse fato me ajudou a contratar as pessoas certas e a tornar o departamento de engenharia de Stanford um lugar melhor pra se trabalhar. Usei babaca (asshole) porque palavras como ‘tirano’, ‘déspota’ e ‘bully’ são apenas eufemismos de como as pessoas realmente chamam esses seres grotescos. Todos nós podemos ser assim de vez em quando, eu mesmo me chamo assim quando ajo dessa forma. Eu sei que ofende, mas ‘babaca’ serve como um tapa na cara. O principal motivo pelo qual escrevi o livro é que humilhar as pessoas causa um dano terrível a elas e à empresa. E, embora haja ocasiões em que ser babaca ajude as empresas a vencer, na minha visão, se você é um vence dor e um babaca, isso não o fará menos babaca e eu não quero estar perto de você”.
Isso mostra que o autor pensa como muito de nós. No entanto, não é sobre chefes babacas que eu quero falar, mas a respeito do que bons chefes acreditam. Sem dúvida alguma, eles diferem na maneira de pensar. Mas o que torna um funcionário um bom chefe? Acredito que seja uma série de coisas, que começa com a educação que você recebe em casa, nas suas crenças e estilo de vida.
É disto que Robert Sutton fala no seu novo livro: sobre como ser um ótimo chefe, dando bons exemplos e evitando os maus. O resultado disso se converte em um maior desempenho da equipe, em orgulho de trabalhar naquela empresa e em algo que não pode ser mensurado: o orgulho que sua equipe tem de trabalhar com você. Definitivamente, não há contracheque que pague isso.
Bons chefes pensam assim:
- “Eu não sei de tudo” – Três tendências que explicam isso: chefes são como qualquer pessoa, ou seja, “se acham” mais do que são, naturalmente deixam de ouvir seus subordinados e estão por fora da realidade (subordinados costumam omitir ou diminuir fatos).
- “Meu sucesso, e do meu pessoal, depende amplamente de administrar coisas da vida” – Às vezes, você não tem a impressão de que os chefes são como robôs tentando aplicar conceitos e métodos do curso de MBA? Grandes líderes mostram que a diferença está nos aspectos humanos da gestão – algo que nenhum curso vai ensinar.
- “Ter ambição e metas bem definidas é importante, mas é inútil pensar demais nelas. Meu trabalho é focar as pequenas vitórias que ajudam minha equipe a fazer pequenos progressos a cada dia”.
- “Uma das mais importantes, e difíceis, partes do meu trabalho é atingir o frágil equilíbrio entre ser muito confiante e não ser o suficiente”.
- “Meu trabalho é agir como um escudo humano, protegendo meu pessoal de intrusos, distrações e bobagens de qualquer espécie – e também evitar impor minhas próprias bobagens”.
- “Vou me esforçar para ser confiante o suficiente para convencer as pessoas de que eu estou no comando, mas humilde o bastante para perceber que, de vez em quando, estou errado”.
- “Eu busco lutar como se eu estivesse certo, ouvir como se eu estivesse errado e ensinar a meu pessoal a mesma coisa”.
- “Um dos melhores testes da minha liderança: o que acontece depois que uma pessoa comete um erro?”.
- “Inovação é crucial em qualquer equipe e organização. Então, meu trabalho é encorajar meu pessoal a criar e testar várias ideias novas e ajudá-los a matar todas as ideias ruins que geramos – e parte das boas também”.
- “O mal é mais forte que o bem. É mais importante eliminar o negativo que acentuar o positivo”.
- “Como eu faço as coisas é tão importante como o que eu faço”.
- “Pelo fato de eu possuir certos poderes sobre os outros, tenho grandes chances de agir como um idiota insensível – e não perceber isso”.
Para pensar
“O maior elogio que os líderes podem receber é aquele que parte das pessoas que trabalham com ele”
John Maxwell










